O diplomata Alberto da Costa e Silva estabelece relações entre a cruzada anti-escravagista, que pautou a Conferência de Bruxelas em 1890, e o imperialismo europeu na África. Além disso, esclarece aspectos importantes da relação entre a África Atlântica e o Brasil do século XIX.
Até o último quartel do século XIX, a presença européia na África reduzia-se a poucos
pontos litorâneos. Em toda a sua grande extensão, a África era governada por africanos. O
continente dividia-se em impérios, reinos e cidades-estado. Do lado do Atlântico, havia
intensas relações entre essas estruturas políticas e o Brasil. O que se passava num lado do
oceano repercutia no outro. A cruzada anti-escravagista desembocou num novo imperialismo
europeu. A ocupação da África pelas potências européias não logrou destruir muitas
dessas estruturas de poder, algumas das quais serviram de intermediárias entre o colonizador
e os africanos enquanto que outras persistiram na clandestinidade. A ocupação colonial
ocasionou o quase completo corte das antigas e fortes relações com o Brasil.
O Brasil, a África e
o Atlântico no século XIX
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